Todos os posts de Bola Teixeira

O mensalinho dos coleguinhas

Recebi no Whatsapp uma série de fotos do processo que rola em Itajaí envolvendo aquele vereador que dizia bandido bom é bandido morto. Há uma conversa dele com um radialista transcrita e mais outros documentos que até agora não vi oficialmente em nenhum meio de comunicação. É constrangedor ler aquilo. Uma vergonha a relação do poder público com a imprensa. São os chamados “cala boca”. Não declino nomes porque estou vendo tudo no whats, oficialmente está tudo como d’ antes no quartel de Abrantes.

Desde que foi instituída a figura da agência de publicidade para centralizar os gastos de governo na mídia tudo ficou mais fácil. O coleguinha joga uma nota lá, não presta serviço nenhum e só aluga a boca. Isto não acontece só com jornalistas no varejo. No atacado o acerto é com o veículo de comunicação seja jornal, rádio ou TV. Conta a lenda que a prefa daqui estaria investindo uma boa grana por mês na RIC Record para pautar o jornalismo daquela emissora de TV com temas de seu interesse. O acerto teria sido feito ao vivo, nada de celular (este sim o maior dedo duro dos corruptos), entre a direção e duas figuras, uma delas com vínculo com a prefa e a outra que gosta de agir nas sombras.

Essa relação espúria poderia ser esclarecida se as planilhas das agência de publicidade fossem tornadas públicas.

Prática do jornalismo em Número Zero

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A única virtude de Número Zero, do italiano Umberto Eco, são as discussões bem familiares ao cotidiano dos jornalistas. De resto, um livro fraco, sem inspiração, que não empolga o leitor.

Número Zero foge do perfil de Eco. Ele tem poucas páginas e aborda um assunto bem distante dos temas de seus best-sellers O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault. Número Zero é justamente o que qualquer jornalista tem em mente, a edição experimental de um jornal. Lá reúnem-se alguns jornalistas contratados para dar corpo ao conteúdo do jornal chamado Amanhã, que luta em encontrar um formato que possa enfrentar as notícias em real time da TV.

Nas reuniões revelam-se algumas situações bem comuns no cotidiano de um jornalista como aquele assunto proibido por causa dos interesses maiores do dono do jornal. Horóscopo sorteado, as notas de falecimento, as pautas especiais desenvolvidas de um ponto de vista diferenciado ao colocado no ar pelas TVs um dia antes, enfim, é uma aula prática de jornalismo.

Nada mais do que isso.

Andy Summers, o fotógrafo

Andy Summers - Del Mondo (12)

Consagrado como guitarrista da banda The Police, Andy Summers revela seu olhar na mostra Del Mondo, em cartaz na Leica Gallery, em São Paulo, a partir do dia 5 de agosto. A exposição, composta por 42 imagens em preto e branco, feitas entre 1978 e 2014, apresenta registros da vida do artista em viagens que fez ao redor do planeta, evidenciando um estilo de fotografia de rua emotivo e atento.

Desde 1978, Andy Summers exercita, com a fotografia, um olhar afiado. Quando os membros da banda The Police decidiram cada um seguir seu próprio caminho, em meados da década de 1980, o guitarrista se aproximou do jazz e da música clássica e, simultaneamente, passou a dedicar ainda mais tempo à câmera fotográfica. Sua produção artística é influenciada tanto por viagens, da Tanzânia a Shangai, quanto por seu profundo interesse pela música, experimentando diferentes tipos de filmes fotográficos, lentes, ângulos e composições. Saindo noite após noite, vagando pelas ruas com sua câmera, Andy Summers registrou cenas noturnas em lugares como Los Angeles, Tóquio, Londres, Bali, Nepal, Macau ou por onde quer que passasse.

Andy Summers - Del Mondo (7)

“É você e o mundo ao redor. Reagindo a isso. Olhando para isso. Se eu saio pela rua, estou olhando, estou procurando. Vendo o que aparece. Poderia ser uma forma, um movimento.”, comenta o fotógrafo. Neste contexto, Del Mondo apresenta fotografias de vendedores, pedestres, motoristas, quartos de hotel, garçons e até do próprio artista. Cenas espontâneas, que o fotógrafo encontrava em suas andanças pelo mundo.

A mostra inédita no Brasil marca a inauguração da Leica Gallery São Paulo, a primeira na América do Sul, e traz ao país Karin Rehn-Kaufmann, responsável pela curadoria de todas as unidades da Leica Gallery no mundo.

 

 

Serviço

Período expositivo 6 de agosto a 5 de outubro de 2015

Local Leica Gallery São Paulo – www.leicagallerysp.com.br

Rua Maranhão, 600 – Higienópolis – São Paulo, SP

Horário Terça-feira a sábado, das 11 às 19h

Número de obras 42

Dimensões 19 x 12,5 cm a 31 x 47 cm

Andy Summers - Del Mondo (4)

 

 

Cabrones in Wood´s

Recebo o convite para um jantarzinho básico para conferir as comidinhas do Cabrones que agora, também, está dentro da Wood´s. Acho bem legal porque acompanho a trajetória do Grilo e do Fred desde os tempos de rua quando eram “perseguidos” pela fiscalização da prefa – aquela mesma que permite a proliferação de dogs pelas ruas. Hoje o Cabrones é uma realidade e expande seu mexicanismo para a famosa casa de sertanejos. Vão em frente rapazes.

Descubra Santa Catarina

Na preguiça de domingo, vendo o SportTV, aí surge uma peça publicitária de Santa Catarina, institucional oficial que pinta um Estado perfeito, onde tudo está bem. Com tantas notícias ruins que lemos no nosso cotidiano, pensei, hmmm… estou em outro estado. Os produtos da publicidade sempre são perfeitos. Ahh, aí pesquisei mais sobre a campanha Descubra Santa Catarina, achei no You Tube, uma peça reduzida com um minuto focado só no turismo. Sem Balneário Camboriú… tóimmm!!

Um Livro por Dia

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Não se trata de nenhuma pretensão minha chegar a tanto. Um Livro por Dia é o relato da experiência do jornalista canadense Jeremy Mercer na Shakespeare and Company, uma livrria parisiense cujo dono, o norte-americano George Whitmann vivia intensamente sua crença pelo comunismo filosófico recebendo jovens potenciais escritores de todas as partes do mundo para trabalhar num sistema de comunidade.

Mercer conta como foi sua temporada por lá depois de vazar de seu país ameaçado de morte por causa de uma reportagem policial. O bandido quis seu couro e ele fugiu para Paris. Seu relato empolgante transporta o leitor até o ambiente da livraria e todas suas histórias. George tinha uma convicção: “Não ler é pior que não saber ler”. Para quem tem o hábito da leitura está em casa lendo Um Livro por Dia.

Entre um Grisham e outro

Confesso que nunca fui atraído por autores best-sellers até ganhar um vale livro de Natal. Como o valor do vale rendia dois livros, escolhi o que queria e decidi experimentar John Grisham, o badalado escritor norte-americano com dezenas de títulos lançados, alguns deles que viraram filmes famosos.

Optei por O Manipulador. Fiquei vidrado com a capacidade de Grisham mudar o ritmo das expectativas do leitor, sempre oferecendo uma surpresa. A certa altura do livro você já não sabe o que vai acontecer. Grisham parece brincar com o leitor. Quanta imaginação! Para um leigo em Grisham foi uma leitura prá lá de agradável com gosto de quero mais.

Até que, visitando um sebo aqui de BC em busca de um livro raro, dei de cara com alguns títulos lacrados de Grisham. Relutei, mas comprei Os Litigantes. Ao contrário de O Manipulador, minha segunda leitura de Grisham revelou-se uma trama previsível. Leitura boa para advogados e afins.

Temporariamente meu ciclo grishamniano encerrou.

Partido dos Pilantras

Ontem o tal PP catarina viveu seu inferno astral com a devassa nas propriedades de João Pizolatti e a prisão do tal Zé do Codetran, figura boquirrota de Itajaí que costumava se impor feito um coronel do brejo. Seu retrato com plaquinha e uniforme laranja correu as redes sociais como troféu, acompanhado por comentários cáusticos . Este tipo de reação mede todo amor que o itajaiense mais esclarecido tem pelo Zé. Pizolatti é outra figura controversa porque como pode um funcionário público acumular tanta riqueza. Mais um caso de mobilidade social e econômica de um político. Quando isso é por demais flagrante, tipo escancarado, há algo a se explicar além do holerite. O PP acumula envolvidos em falcatruas por todo o país. Já é conhecido como o partido dos pilantras, longe dos slogans da política do bem.

Trapaça, do original American Hustle

Filme-Trapaça

Um filme agradável de assistir é aquele onde o diretor constrói seus personagens tirando todo suco de talento do elenco selecionado. Um exemplo notável disso é Trapaça (do original American Hustle), filme de 2013 que tem David O. Russell como diretor. O desempenho de Christian Bale, o trapaceiro mor, está perfeito, assim como as atuações de Bradley Cooper e Amy Adams, a trapaceira. Um filme imperdível, mas que exige muita atenção para entender a trapaça.

Menores vítimas, mas bandidos

Todos sabem que vivemos em uma sociedade no volume morto (usando Lula). O Estado negligente não cumpre com suas funções; a instituições em geral, idem; a educação é uma droga; a classe política é corrupta; as famílias esfaceladas, enfim… acreditar que crianças marginalizadas que postam fotos com fortes armamentos e matam sem dó nem piedade possam, por lei, serem reabilitados soa cretinice. A patrulha pode me chamar de tudo, porque quando você assume uma posição logo é rotulado. Mas não me importa. Seria lindo se fosse tudo uma verdade, mas tudo é uma grande mentira. Nada vai acontecer. Os jovens armados comemoram mais esta conquista: a impunidade. Uma salva de tiros.

Crazy Race

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Quando você ouve nomes como Tony Kanaan, Montoya e Will Power falando em “crazy race” é porque, seguramente, os caras sentiram a adrenalina em alta durante as 500 milhas de Fontana de Fórmula Indy. Foi uma prova intensa na segunda metade de prova quando ninguém mais alivia. Pilotos ocupando espaço, alinhando-se em quatro lado a lado, pé no fundo e acidentes espetaculares. Como os três pilotos mesmo disseram, para o público é a melhor das provas, mas para os pilotos – a 300 por hora – não é bem assim.

Quando a publicidade tem função social

Filme-NO

Os publicitários adoram criar um mundo de fantasias para vender os produtos de seus clientes. Não são poucas as propagandas enganosas que habitam nossas TVs, net, jornais, revistas… enfim. Dia desses compartilhei o filminho de um velho pirado em São Paulo que “invadiu” um set numa das praças da capital paulistana e, por um minuto, fez um discurso sobre as mazelas da linguagem da publicidade.

Desde que foi lançado o filme No, em 2012, tentei assistir e ontem tive a oportunidade. O filme chileno relata o processo – nos bastidores – do plebiscito que derrubou Pinochet e sua ditadura naquele país. O publicitário René Saavedra (Gael García Bernal) foi o responsável pela campanha do “no” e teve que enfrentar todos os líderes dos partidos da oposição que defendiam uma linguagem carrancuda relembrando todos os anos de chumbo. Saavedra criou uma linguagem desvinculada, moderna, original, alegre, com apelo de liberdade e foi com esta campanha que deu “no” no plebiscito livrando o povo chileno de 15 anos de Pinochet. É um filme que todos devem assistir e refletir sobre o papel da publicidade na sociedade.

Todos querem nos governar e um não quer

Asinil Medeiros, Carlos Humberto Metzer Silva, Fabrício Oliveira, Fábio Flôr, Júnior Pavan, Luiz Osawa, Marisa Fernandes, Nilson Probst, o que essa rapaziada toda têm em comum? Governar Balneário Camboriú a partir de 2017. De uma forma ou de outra, todos eles já manifestaram o desejo de ser o próximo prefeito da cidade. Menos um. O promotor André Mello recebeu uma carta dos membros do Partido Verde convidando-o a encabeçar uma chapa pura do partido na próxima eleição municipal. Os rumores a respeito deste convite já vinha rolando há pelo menos dois meses. Entre os rumores e a carta convite, conversei com o promotor cujo nome é relacionado ao meio ambiente por conta de sua atuação na área ambiental. Em uma conversa informal de estacionamento de Fórum comentei com ele sobre a vontade do PV. Entre sorrisos, André Mello agradeceu, mas ponderou que tem toda uma carrreira pela frente no Ministério Público.

Prefeitura “homenageada” no Cineramabc

Aconteceu ontem no Cine Itália (porque no teatro municipal programaram a gravação de um DVD no mesmo dia) o encerramento do Cineramabc, festival internacional de cinema. A mediocridade estava toda ausente. Câmara de Vereadores, governo municipal e Fundação de Cultura. Apenas uma pessoa presente, o vice-prefeito Cláudio Dalvesco, usou o microfone para afirmar que a caneta do vice-prefeito não tem tinta. No seu discurso final, o entusiasta responsável pelo festival, André Gevaerd, desabafou ao dizer que o festival foi abandonado pela prefeitura arrancando aplausos do público. Confesso que passei vergonha de viver em BC com este descaso todo. Mas valeu. O festival trouxe ótimos filmes. O meu preferido, O Guri, venceu melhor ator, escolha do público e também um troféu especial do Círculo Argentino, apoiador do evento. A Lição foi o melhor do juri. Muitos estrangeiros na cidade por conta do festival. Da Argentina, da Europa, muitos jovens, enfim um público diferente que adora a sétima arte e só quem não percebe isso é a mediocridade reinante em nossa cidade.