Capital catarina do cinema

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Começa hoje a quinta edição do Cineramabc, festival que só acontece graças a disposição e perseverança de seu criador André Felipe Gevaerd Neves. Nós que gostamos de cinema só temos que agradecer todo o entusiasmo do André porque nos alimentamos da sétima arte até dia 4 de junho. A abertura é hoje às 21hs pela primeira vez no Teatro Bruno Nitz com a exibição do filme Filha Distante do cineasta argentino Carlos Sorín, a grande homenageado desta edição. Fique atento a programação da exibição dos longas e curta metragens selecionados para esta edição acessando cineramabc.com.br e bons filmes!!

Sou louco por livro

Ótima notícia, go to Shopping:

A Livrarias Catarinense do Balneário Shopping realiza mais uma edição da campanha “Sou Louco Por Livro”. Até o dia 30 de junho, mais de 600 títulos dos mais variados estilos e segmentos estarão com descontos de mais de 80% e inúmeros best sellers sairão com valores a partir de R$ 9,90. Além da operação no Balneário Shopping, situada no pavimento térreo do empreendimento, a ação vale para as outras 23 lojas físicas da rede no Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Entre as obras selecionadas destaque para “O Despertar da Irlanda”, de  Edward Rutherfurd, (ed. Record, de R$ 95 por R$ 9,90), “As Guerras de Shakespeare” de Maria Beatriz de Medina (ed. Record, de R$ 95 por R$ 9,90), “Marketing Para o Século XXI”, de Philip Kotler (ed. Agir, de R$ 64,90 por R$ 9,90), “O Pequeno Príncipe – Caixa de Colecionador” de Antoine de Saint-Exupéry (ed. Leya, de R$ 59,90 por R$ 9,90), “Renato Russo O Filho da Revolução” de Marcelo Carlos (ed. Agir, de R$ 44,90 por R$ 9,90), “Faça Como Steve Jobs” de Carmine Gallo (ed. Lua de Papel, de R$ 39,90 por R$ 9,90), e “Manifesto do Nada na Terra do Nunca” de Lobão (ed. Nova Fronteira, de R$ 39,90 por R$ 9,90).

 

Protocolo maroto

O decreto baixado congelando a aprovação de projetos há dois anos foi um ato para salvaguardar o processo de discussão do novo PD da cidade. Dois anos depois, a discussão do PD não avança. Durante todo este período as construtoras – pequenas, médias e grandes – ficaram reféns de um tal conselho da cidade com todos seus pedidos de vista.

Na sexta-feira passada o decreto caiu. Está tudo liberado. Informações de bastidores dão contam que o fim do decreto é algo mais do que nós mortais imaginamos. Há uma investigação a respeito de todo este processo. Tira-se o poder do tal conselho, mas há um mistério que gira em torno de tudo isso. O protocolo dos projetos aprovados na véspera do decreto ser publicado. Houve tráfico de influência ou não? Protocolo é um documento que garante as partes envolvidas, mas, no caso da prefeitura, não é bem assim. Os protocolos ninguém sabe, ninguém viu.

Um político bem sucedido

Pode se afirmar que morreu ontem um político bem sucedido. LHS é produto de um sistema político que permite o cidadão ser um profissional. LHS começou a galgar o universo do poder no início dos anos 70. Degrau por degrau alcançou o mais alto estágio da política nacional. Não é para poucos. Revelou-se um grande estrategista do poder. Como legislador e executivo foi um habitante permanente do poder. Sua vida profissional foi a política e, para se manter no ápice, articulou, negociou, foi pragmático (condição fundamental para se manter no poder) e até fisiologista (condição também importante no código do poder). Em Santa Catarina, sob o pretexto da descentralização administrativa, criou a maior rede de compromisso eleitoral chamada secretaria regional, estratégica para os êxitos eleitorais  do grupo que liderou por tanto tempo. O PMDB catarina está acéfalo. Não se vislumbra alguém com capacidade para ocupar o espaço deixado por LHS, um político muito bem sucedido, nada mais do que isso.

Treze Tílias e o enxaimel de Blumenau

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De tanto ouvir elogios a respeito de Treze Tílias acabei criando uma expectativa falsa. Finalmente conheci o pedacinho da Áustria em Santa Catarina e me decepcionei porque achei tudo muito sem graça. É tudo muito igual e recente. Espalham-se réplicas e o único de original que vi foi o prédio do museu, curiosamente de arquitetura diferenciada das demais edificações.

Dar de cara com Treze Tílias me transportou para uma discussão sobre o original e a réplica das edificações enxaimel de Blumenau. Ela aconteceu no Restaurante Chinês, na XV blumenauense. Eu estava de gaiato em uma mesa de que tinha o jornalista Luís Antônio Soares defenestrando as réplicas da paisagem blumenauense. E com argumentos para os demais integrantes da mesa que meus neurônios não permitem lembrar. Devo lembrar de Luis Antônio por causa de seu discurso enfático. Só sei dizer que anos e anos depois da discussão só vejo belos originais de Blumenau ir pro chão.

Imagino que em Treze Tílias deve haver uma lei de incentivo para obras do gênero tirol. Eu não gosto. Me sinto em um parque temático. Prefiro o original. Quem sabe um dia… não sei.

Tô nem aí

Acho que é o nome de uma música da Negra Ly. Sei lá. O que sei é o sentimento de um personagem envolvido até o pescoço com o Trato Feito que comemorará seu niver com muita fartura. Costela a toneladas, mais comidinhas, tipo BLT. Será no domingo lá no Bairro do Mumu. Levem suas câmeras para fazer um selfie com o aniversariante e debochar bastante do MP, Gaeco e afins. Ah, dizem as más línguas que a festança acontece em um terreno baldio repleto se brita. Sacanagem, né?

Não procede que o povo quer só comida

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Fui fazer uma visitinha na sede da Fundação de Cultura e as meninas não gostaram do post sobre o pouco apetite cultural existente na cidade. Protestaram contra o post (imagino como não me xingaram quando leram… heheh). Na verdade, elas afirmam, as peças de teatro e eventos de palco têm recebido um público muito bom. O que peca mesmo são as vernissages, estas sim com pouco público cativo. Feita a correção, deixo duas fotinhos do evento do lançamento do livro das fotos antigas de BC. Com Cláudio e Klaus, duas gerações dos Fischer que fizeram história na cidade e a novíssima geração representada pela Isabela, perdida no marzão em frente a Ponta de Aguada. As fotinhas são da Vânia Campos (Vânia, cropei uma das fotos).

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O pensador Eduardo Galeano e a utopia de Russel

As veias abertas da América Latina e A História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, foram as duas maiores referências na minha formação acadêmica, assim com outro pensador e seus livros: Eric Hobsbawn. Todos com suas perspectivas de abordagem do ponto de vista de esquerda. Agora há pouco soube da morte de Eduardo Galeano. Com o passar dos anos posso afirmar que não sou mais um esquerdista de carteirinha pelas decepções vividas durante todos estes anos com as experiências da esquerda no poder, mas fica o respeito ao grande pensador Galeano, Huberman e Hobsbawn, cujos livros continuam na minha pequena biblioteca.
Lembrando ainda as incursões pelo pensamento de esquerda, lembrei recentemente de Caminhos para Liberdade, de Bertrand Russel, onde ele construiu um modelo ideal de sociedade anarquista. Lembrei porque chamei um cara para limpar o esgoto de casa e ele cobrou seu preço. Comentei, tá carinho, e ele respondeu lacônico: vou mexer na merda, justamente o que pregava Russel, trabalhadores desse nível deveriam ser valorizados na cadeia econômica da sociedade.

Em BC, a gente quer só comida

Ontem fui prestigiar o lançamento do livro Fotografia Antigas de Balneário Camboriú, sob a organização de Sergio Antonio Ulber, mais um produto da Lei de Incentivo a Cultura aqui da cidade. Foi em frente ao teatro. Colocaram uns biombos iluminados com algumas fotos do livros impressas grandes, estava bem bonito. Fiquei até próximo das 20hs lá. Quando começou os discursos fui embora. Chamou minha atenção o pouco público até o momento que sai (a chamada para o evento foi para às 18hs30), e na minha pontualidade britânica fui no horário. E também um público diferenciado do que estava acostumado. senti falta de presenças pontuais, mas isso não importa. O que importa é que, em BC, a canção dos Titãs é relativa. Soube que desde a abertura do teatro somente em três ocasiões o auditório lotou. A média de público gira em torno de 80 pessoas. Uma das maiores missões da atual diretoria da Fundação é a da formação de público para os diversos eventos promovidos. Passei por isso quando diretor de Cultura, mas isso já há quase 30 anos, quando cada abertura de exposição mudava o público de acordo com o artista (parentes e amigos, não propriamente estimulados pela arte). É realmente uma tarefa difícil.

Quanto ao livro, foi uma iniciativa importante para a cidade. Resgata e história, resgata a memória e é isso que estamos precisando. As fotos foram colorizadas. Não sou muito favorável a esta técnica, mas ficou interessante o processo com as fotos originais, em P&B, lado a lado com a manipuladas. Um único descuido de revisão é motivo para não considera-lo perfeito. A inversão de um dos negativos (imagino eu) conduziu o Hotel Marambaia para o pontal sul da praia. Mas no todo é um importante trabalho. Que venham outros.

A lista de Furnas

O que José Serra (7), Geraldo Alckmim (9,3), Gilberto Kassab (100), Robson Tuma (100), Sérgio Cabral (500), Marcelo Crivella (250), Eduardo Paes (250), Eduardo Cunha (100), Jair Bolsonaro (50), Aécio Neves (5,5), Zonta (75), Paulo Bauer (75), Serafim Venzon (75), João Pizolatti (75) e Fernando Coruja (75) têm em comum? Eles todos estão na lista de Furnas, uma espécie de Furnasduto. A eleição é de 2002 e os numerais menores (com um decimal) quer dizer milhões e os de dois e três decimais, equivalente a milhares de reais.

Só relacionei 15. Poucos, não é? Somam-se a eles uma lista de mais 141 candidatos. Agora imagina a roubalheira. Este país não tem jeito. Resta a pergunta, se é de 2002, a roubalheira já expirou?

Eles não entenderam nada

Por sugestão do Carlinhos Pereira, ontem a noite coloquei na TV Cultura no programa Roda Viva. Na poltrona giratória, cercado de jornalistas, estava Rogério Chequer, porta voz do movimento Vem Pra Rua. Jovem, articulado, de retórica fácil, Chequer não deixou uma pergunta sem resposta causando um frisson nos próprios jornalistas da Folha, El País… Hoje procurei saber sobre a repercussão da entrevista na mídia, mas nada se falou para um ponto crucial da entrevista, a organização do movimento. Chequer afirma que o movimento vem crescendo em todo o país, independente de outros movimentos que se misturam nas ruas das cidades brasileiras e que se esgoelam pelo golpe. O porta voz se diz contra qualquer movimento de golpe, diz que o movimento representa uma população insultada pelo Estado e reúne pessoas de todas as condições sociais.

Para abril, Chequer antecipa que a passeata terá um tema central: eles não entenderam nada, uma referência a reação dos políticos à passeata de março. Alguns situações levantadas por Chequer que serão cobradas na próxima passeata são da redução do número de ministérios – redução do Estado burocrático – e a defesa pela não participação de Luís Tófoli no julgamento do lava-jato, pois entendem não ter legitimidade para julgar membros do partido de que foi advogado.

Enfim, este é o representante da CIA, conforme o petista Sibá Marinho. Sobre esta acusação, Chequer deu risada. Só dando risada.

O estilo Nilson Probst de ser

Ontem ouvi o discurso do vereador Nilson Probst na sessão da Câmara. Seu alvo era o suplente de vereador Ary de Souza e todos os internautas que o criticaram no Facebook por conta de sua bizarra participação na manifestação de domingo. Me impressiona a capacidade de Probst desqualificar as pessoas que o criticam. Segundo ele, Ary é moralista de cueca, porque, na condição de funcionário público, estaria em desvio de função. Ora essa, se ele está em desvio de função, a responsabilidade é do governo que sustenta. Alguém assinou o seu desvio, assim como todos que existem neste governo. Marcelo Achutti pediu um aparte e também bateu na mesma tecla querendo assinar também requerimento para apurar o desvio. Ora Marcelo, até tú?

Probst afirmou que vai deixar de ser bonzinho e processar todo mundo que o critica, na batida estratégia de se refugiar em situações distantes do mérito da questão que é sua participação na manifestação. Probst diz que é trabalhador e que todos são trabalhadores na Câmara, inclusive Elton Garcia (envolvido no Trato Feito), que citou nominalmente. E que a população não está interessada neste tipo de discussão. Probst deveria encomendar uma pesquisa para saber como anda a imagem da Câmara, talvez a pior de todos os tempos. Probst não fez nada para defender a instituição. Deixa a cargo da justiça. A tal comissão de ética saiu a fórceps. Muito provavelmente ele próprio poderá estar na pauta da comissão de ética, já que, na semana passada, seu nome foi envolvido na denúncia do MP com relação a famigerada manipulação das multas de trânsito.

Este é o modo de ser de Probst, declarado candidato a sucessão do prefeito ERD.

Junho de 2013 – Março de 2015

Protestos 15 de março em São Paulo

Junho de 2013 e março de 2015, a Atlântica – e a Brasil – foram invadidas pela população. Duas grandes manifestações com demandas diferentes. A primeira bem diversificada olhando para os cartazes. De Piriquito a Dilma. A do dia 15, o alvo foi Dilma, foi Lula, foi o PT. Uma coisa é certa. Quem se dispõe a sair para as ruas terá que saber que conviver com as diferenças. Não existem os iguais. Cada um manifesta no que acredita, e todos têm o direito de se manifestar, até mesmo um caminhão recheado de extremas direita que se esgoelavam fazendo discurso anti-comunista. Não sei onde tiraram aquelas figuras. Nunca vi na cidade. O fato é que pouca gente deu ouvidos aquele discurso de que o comunismo já existe no Brasil. Quando ouvi isso, pensei, coitados. Se o comunismo já estivesse aqui eles não estariam sobre o caminhão, de microfone na mão, bostejando.

Protestos 15 de março em São Paulo

Assim como vi dezenas e dezenas de maçons, todos uniformizados, saudável para a democracia, até porque a maçonaria – como conta os livros de história – sempre teve cadeira cativa no chamado poder secreto e conspiratório nas decisões de destinos de Nações ocidentais.

Vi velhinhos e velhinhas, promotores, juízes, vereadores (aliás, vi um, o Nilson Probst, ironicamente recém denunciado pelo MP), jovens, crianças (minha filha estava de cara pintada na sua inocência – foi ela que me forçou a ir), profissionais liberais, empresários, todos eles caminhando pelas ruas manifestando seus sentimentos de indignação. Now it´s personal, como mancheteou a imprensa gringa, por mais que queiram politizar a manifestação como sendo uma luta de classes.

Protestos 15 de março em São Paulo

Também vi aqueles que usaram a manifestação como um programada de domingo, utilizando o restaurante Chaplins e arredores como camarotes e fotografando quem passava como se fosse uma escola de samba.

Você está vendo? A democracia atura tudo isso. O povo, por mais passivo que seja, não atura desaforos. A população em geral quer estabilidade. Erram e acertam em suas manifestações, mas o importante é demonstrar que não está contente com este estado de coisas que se transformou o país por pura incompetência gerencial, empreguismo, corrupção, Estado obeso, privilégios de uma casta chamada classe política que ainda não se deu conta do que deve mudar no Brasil.

Protestos 15 de março em São Paulo

As fotos são todas da manifestação de São Paulo. Crédito vai para Paulo Pinto/Fotos Públicas. Meu Aifone deixou na mão… opa.. tenho aifone? Devo ser coxa.

Cidade sem memória, sem história e funcionária pública mal educada

Por conta de uma pesquisa recorri a Biblioteca Pública, um local agradável para uma boa leitura. Minha pesquisa é sobre a história de Balneário Camboriú. Lá encontrei um só livro, o do Isaque. Um único exemplar, todo “estoporado”, como diria o rapaze. Pois é. Uma cidade sem memória, não tem história. Seguindo com a pesquisa precisei da data de inauguração do Colégio João Goulart. Onde vou? No Colégio João Goulart. Chego na secretaria e um rapaz, novinho, atende, expliquei sobre o que precisava e ele apontou para uma placa de inauguração do prédio novo. Argumentei que preciso da data de inauguração do colégio. Ele, então, foi até uma funcionária postada em frente do computador. Ele explicou a funcionária e ela apontou para a mesma placa. Como não era disso que se tratava, ela simplesmente respondeu ao funcionário que “agora não dá”. Quer dizer, a funcionária não foi capaz de tirar a bunda da cadeira e me atender. É assim que funciona. Respondi com um muito obrigado em voz alta e fui embora.

O que dizer dos caminhoneiros?

Os caminhoneiros estão no centro das atenções. Pelo menos aqui no sul onde eles estão agitando nossas rodovias com paralisações. Não repercutiria tanto não fossem as rodovias o único canal de escoamento de produtos e alimentos do país. Esta crise toda afeta de frente os custos dos caminhoneiros, grande parte profissionais liberais. A progressiva adesão – começou no oeste e chegou ao litoral – terá o poder de desabastecer o mercado, como já está acontecendo.

E o que dizer dos caminhoneiros. Eles não têm partido político. Estão revoltados com a situação criada por uma política econômica frustrada e um cenário político contaminado pela roubalheira. Como imaginar um discurso que possa desqualificar a legitimidade dos caminhoneiros? Não tem como. Nem apelando para a teoria da conspiração. O Brasil vai mal.