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Junho de 2013 – Março de 2015

Protestos 15 de março em São Paulo

Junho de 2013 e março de 2015, a Atlântica – e a Brasil – foram invadidas pela população. Duas grandes manifestações com demandas diferentes. A primeira bem diversificada olhando para os cartazes. De Piriquito a Dilma. A do dia 15, o alvo foi Dilma, foi Lula, foi o PT. Uma coisa é certa. Quem se dispõe a sair para as ruas terá que saber que conviver com as diferenças. Não existem os iguais. Cada um manifesta no que acredita, e todos têm o direito de se manifestar, até mesmo um caminhão recheado de extremas direita que se esgoelavam fazendo discurso anti-comunista. Não sei onde tiraram aquelas figuras. Nunca vi na cidade. O fato é que pouca gente deu ouvidos aquele discurso de que o comunismo já existe no Brasil. Quando ouvi isso, pensei, coitados. Se o comunismo já estivesse aqui eles não estariam sobre o caminhão, de microfone na mão, bostejando.

Protestos 15 de março em São Paulo

Assim como vi dezenas e dezenas de maçons, todos uniformizados, saudável para a democracia, até porque a maçonaria – como conta os livros de história – sempre teve cadeira cativa no chamado poder secreto e conspiratório nas decisões de destinos de Nações ocidentais.

Vi velhinhos e velhinhas, promotores, juízes, vereadores (aliás, vi um, o Nilson Probst, ironicamente recém denunciado pelo MP), jovens, crianças (minha filha estava de cara pintada na sua inocência – foi ela que me forçou a ir), profissionais liberais, empresários, todos eles caminhando pelas ruas manifestando seus sentimentos de indignação. Now it´s personal, como mancheteou a imprensa gringa, por mais que queiram politizar a manifestação como sendo uma luta de classes.

Protestos 15 de março em São Paulo

Também vi aqueles que usaram a manifestação como um programada de domingo, utilizando o restaurante Chaplins e arredores como camarotes e fotografando quem passava como se fosse uma escola de samba.

Você está vendo? A democracia atura tudo isso. O povo, por mais passivo que seja, não atura desaforos. A população em geral quer estabilidade. Erram e acertam em suas manifestações, mas o importante é demonstrar que não está contente com este estado de coisas que se transformou o país por pura incompetência gerencial, empreguismo, corrupção, Estado obeso, privilégios de uma casta chamada classe política que ainda não se deu conta do que deve mudar no Brasil.

Protestos 15 de março em São Paulo

As fotos são todas da manifestação de São Paulo. Crédito vai para Paulo Pinto/Fotos Públicas. Meu Aifone deixou na mão… opa.. tenho aifone? Devo ser coxa.

O que dizer dos caminhoneiros?

Os caminhoneiros estão no centro das atenções. Pelo menos aqui no sul onde eles estão agitando nossas rodovias com paralisações. Não repercutiria tanto não fossem as rodovias o único canal de escoamento de produtos e alimentos do país. Esta crise toda afeta de frente os custos dos caminhoneiros, grande parte profissionais liberais. A progressiva adesão – começou no oeste e chegou ao litoral – terá o poder de desabastecer o mercado, como já está acontecendo.

E o que dizer dos caminhoneiros. Eles não têm partido político. Estão revoltados com a situação criada por uma política econômica frustrada e um cenário político contaminado pela roubalheira. Como imaginar um discurso que possa desqualificar a legitimidade dos caminhoneiros? Não tem como. Nem apelando para a teoria da conspiração. O Brasil vai mal.

Brasil dos contrastes

Esta semana, em um só dia, senti o contraste. De manhã cedo fui ao NAI. Fiquei uma hora lá dentro convivendo com o idosos que esperavam sua vez num prédio nada funcional, onde os velhinhos ficam no corredor em bancos improvisados. Acho que o prédio foi construído na época do Spernau. Sorry, mas um prédio nada a ver. Tudo apertado e improvisado. The god Pirica que veio para mudar tudo, mudou mesmo. Ao invés de propor um prédio decente deixou tudo lá abandonado. Porta que deve ter sido arrombada, toda “descadeirada”, porta do banheiro que não fecha e o odor se espalha pelo corredor e, para a marcar a simbologia do relaxamento, uma toca de Papai Noel encaixado no extintor de incêndio. Os velhinhos tiram onda de tudo que tem de ruim lá. É muito bom humor.

De tarde fui até Floripa, na Justiça Federal. Avisto um prédio novinho em folha, tudo muito espaçoso. Lindo, maravilhoso. Está aí o contraste. Porque o Brasil da Saúde não pode ser igual o Brasil da Justiça?