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O mensalinho dos coleguinhas

Recebi no Whatsapp uma série de fotos do processo que rola em Itajaí envolvendo aquele vereador que dizia bandido bom é bandido morto. Há uma conversa dele com um radialista transcrita e mais outros documentos que até agora não vi oficialmente em nenhum meio de comunicação. É constrangedor ler aquilo. Uma vergonha a relação do poder público com a imprensa. São os chamados “cala boca”. Não declino nomes porque estou vendo tudo no whats, oficialmente está tudo como d’ antes no quartel de Abrantes.

Desde que foi instituída a figura da agência de publicidade para centralizar os gastos de governo na mídia tudo ficou mais fácil. O coleguinha joga uma nota lá, não presta serviço nenhum e só aluga a boca. Isto não acontece só com jornalistas no varejo. No atacado o acerto é com o veículo de comunicação seja jornal, rádio ou TV. Conta a lenda que a prefa daqui estaria investindo uma boa grana por mês na RIC Record para pautar o jornalismo daquela emissora de TV com temas de seu interesse. O acerto teria sido feito ao vivo, nada de celular (este sim o maior dedo duro dos corruptos), entre a direção e duas figuras, uma delas com vínculo com a prefa e a outra que gosta de agir nas sombras.

Essa relação espúria poderia ser esclarecida se as planilhas das agência de publicidade fossem tornadas públicas.

Queira entender o manual de redação da RBS

O assunto do momento é o Lava-Jato, operação da PF que anda pretendendo meliantes de todos os quadrantes do país. E como crime envolve lavagem de grana, BC não poderia ficar de fora. Nas rodinhas muita curiosidade sobre quem são, o que faziam, se tinha lavanderias na cidade, ou qual seria o posto de combustível que servia de máquina de lavar. Aí vejo matérias publicadas no Sol Diário e em nenhum momento os caras são identificados. Parece que são dois os detidos por aqui. Não entendo essa proteção. Se você vai na página policial dos jornais da RBS, o bandido chinelo tá lá o nome dele, mas os colarinhos brancos são poupados. Gostaria de entender.

El País: meu novo favorito

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O espanhol El País ganhou sua versão em português. Jornalismo global, bem interessante. Matérias para não ler com pressa e feito por profissionais. Como diz o diretor do El País: “O jornalismo segue sendo necessário com o profissional que conhece a área, ideologia, ética da informação e etc. Não acredito em jornalismo cidadão, assim como não acredito em médico cidadão (amador). Cada um tem a sua profissão”.

Tô em crise

Domingo vendo o programa do Jô na GNT me deparei com um personagem que não conhecia. O professor de ética do curso de comunicação da USP, Clóvis Barros Filho. Fiquei impressionado com sua dinâmica (imagina em sala de aula) com um discurso bem humorado e sempre repassando mensagens positivas tipo você vai se aturar a vida toda é bom que valorize as coisas que faz. Curioso procurei uns vídeos no YouTube. Achei o prof num seminário sobre jornalismo cultural. Entrei em depressão. Me chamou de dominador por tabela. Ele explicou que o domínio da informação começa na pauta. Caracoles! Sou pauteiro há trocentos anos e me senti um dominador. Ele tem razão. O filtro do que vem a ser consumido como informação começa na reunião de pauta. Ele deu um exemplo cômico. Disse ele, imagine se entro na sala de aula e um aluno maluco me mata. Vai virar notícia. Até sua morte, as aplaudidas aulas repercutiam somente no meio acadêmico. Veja só a inversão. Sua morte pode não repercutir muito no meio acadêmico, mas será notícia de jornal coisa que nunca foi. Bem, bem, bem… dizer o quê.

Tiros na Câmara e o repórter cidadão

Hoje pela manhã abro meu Gmail e vejo uma mensagem do jornalista Luciano Sens. Assim:

“Por volta de 21:30 horas desta Terça-feira, 21, 05 disparos foram efetuados em frente a nova sede da Câmara de vereadores de Itajaí. O vereador Afonso Arruda juntamente com sua equipe estavam atendendo pessoas em seu gabinete quando foram ouvidos os disparos de arma de fogo. Os tiros foram disparados enquanto os vigias se deslocavam para o estacionamento exterior da da Câmara. Por sorte ninguém foi alvejado. A polícia foi acionada e equipes de vigilância prestaram auxílio aos funcionários que se encontravam no local”.

Começo minha leitura matinal e entro no DC. A notícia dos tiros é destaque. Foto creditada para o Luciano e o texto assim ó:

“Por volta das 21h30min de terça-feira cinco disparos foram efetuados por um motociclista contra a Câmara de Vereadores de Itajaí, litoral norte de Santa Catarina. A instituição informou que o vereador Afonso Arruda e sua equipe estavam trabalhando em seu gabinete no momento do ataque, e ouviram os tiros. No momento, os vigias do prédio se deslocavam para o estacionamento externo. Janelas e paredes foram atingidas, mas ninguém ficou ferido”.

Deram uma editadinha, né? Mas não creditaram o texto para o Luciano. Assim fica fácil fazer jornalismo.

Assessoria…. destino de jornalistas

Agora no início do ano começo a me habituar com alguns bons jornalistas assinando boletins informativos de vereadores. O Cláudio e o Marcelo, os dois ex-Diarinho são dois deles. Não é fácil ser jornalista em Santa Catarina. Um só grupo domina a informação no estado, claro, a RBS, e a realidade do jornalismo do estado é formada por pequenos jornais, que pouco podem pagar, afinal a RBS paga mal também. Chega uma hora que cansa, afinal exercer o jornalismo não é nada fácil. Não tem rotina, não tem horário, não tem amigos. As pessoas que se relacionam com jornalistas é por interesse. São amigos até receber uma crítica. Boa sorte ao Claudio (os políticos mal intencionados agradecem) e ao Marcelo. Perde o jornalismo com a saída deles do cenário. Agora só release.

Assessor de imprensa é jornalista? Aqui no Brasil, sim

Com o título Papéis Trocados, o jornalista Eugênio Bucci, um dos representantes da alta cúpula do jornalismo brasileiro, aborda a questão da assessoria de imprensa, lembrando que nos EUA, assessor é consideração relações públicas e em Portugal, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Aqui no Brasil está tudo na mesma panela até por questões corporativas. Explico: a FENAJ, entidade que representa a classe por aqui, é um antro de assessores de imprensa. Então, é fácil saber porque não se faz força para mudar. Acho que uma  mudança poderia partir das academias, simplesmente retirando dos currículos a assessoria de imprensa como uma especialização, assim como é jornalismo econômico, ambiental, político e por aí vai. Olha só o que preconiza o artigo 7º do Código de Ética: “O jornalista não pode realizar cobertura para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual (sic) seja assessor, empregados, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas”. O Código “permite” que o jornalista trabalhe para os dois lados, cujos interesses são conflitantes, mas colocam restrições éticas como está relatado no artigo. Então, meus senhores e minhas senhoras, não existe esta ou aquela ética. Há uma só ética. Que sirva de reflexão.