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Prática do jornalismo em Número Zero

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A única virtude de Número Zero, do italiano Umberto Eco, são as discussões bem familiares ao cotidiano dos jornalistas. De resto, um livro fraco, sem inspiração, que não empolga o leitor.

Número Zero foge do perfil de Eco. Ele tem poucas páginas e aborda um assunto bem distante dos temas de seus best-sellers O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault. Número Zero é justamente o que qualquer jornalista tem em mente, a edição experimental de um jornal. Lá reúnem-se alguns jornalistas contratados para dar corpo ao conteúdo do jornal chamado Amanhã, que luta em encontrar um formato que possa enfrentar as notícias em real time da TV.

Nas reuniões revelam-se algumas situações bem comuns no cotidiano de um jornalista como aquele assunto proibido por causa dos interesses maiores do dono do jornal. Horóscopo sorteado, as notas de falecimento, as pautas especiais desenvolvidas de um ponto de vista diferenciado ao colocado no ar pelas TVs um dia antes, enfim, é uma aula prática de jornalismo.

Nada mais do que isso.

Um Livro por Dia

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Não se trata de nenhuma pretensão minha chegar a tanto. Um Livro por Dia é o relato da experiência do jornalista canadense Jeremy Mercer na Shakespeare and Company, uma livrria parisiense cujo dono, o norte-americano George Whitmann vivia intensamente sua crença pelo comunismo filosófico recebendo jovens potenciais escritores de todas as partes do mundo para trabalhar num sistema de comunidade.

Mercer conta como foi sua temporada por lá depois de vazar de seu país ameaçado de morte por causa de uma reportagem policial. O bandido quis seu couro e ele fugiu para Paris. Seu relato empolgante transporta o leitor até o ambiente da livraria e todas suas histórias. George tinha uma convicção: “Não ler é pior que não saber ler”. Para quem tem o hábito da leitura está em casa lendo Um Livro por Dia.

O pensador Eduardo Galeano e a utopia de Russel

As veias abertas da América Latina e A História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman, foram as duas maiores referências na minha formação acadêmica, assim com outro pensador e seus livros: Eric Hobsbawn. Todos com suas perspectivas de abordagem do ponto de vista de esquerda. Agora há pouco soube da morte de Eduardo Galeano. Com o passar dos anos posso afirmar que não sou mais um esquerdista de carteirinha pelas decepções vividas durante todos estes anos com as experiências da esquerda no poder, mas fica o respeito ao grande pensador Galeano, Huberman e Hobsbawn, cujos livros continuam na minha pequena biblioteca.
Lembrando ainda as incursões pelo pensamento de esquerda, lembrei recentemente de Caminhos para Liberdade, de Bertrand Russel, onde ele construiu um modelo ideal de sociedade anarquista. Lembrei porque chamei um cara para limpar o esgoto de casa e ele cobrou seu preço. Comentei, tá carinho, e ele respondeu lacônico: vou mexer na merda, justamente o que pregava Russel, trabalhadores desse nível deveriam ser valorizados na cadeia econômica da sociedade.

Em BC, a gente quer só comida

Ontem fui prestigiar o lançamento do livro Fotografia Antigas de Balneário Camboriú, sob a organização de Sergio Antonio Ulber, mais um produto da Lei de Incentivo a Cultura aqui da cidade. Foi em frente ao teatro. Colocaram uns biombos iluminados com algumas fotos do livros impressas grandes, estava bem bonito. Fiquei até próximo das 20hs lá. Quando começou os discursos fui embora. Chamou minha atenção o pouco público até o momento que sai (a chamada para o evento foi para às 18hs30), e na minha pontualidade britânica fui no horário. E também um público diferenciado do que estava acostumado. senti falta de presenças pontuais, mas isso não importa. O que importa é que, em BC, a canção dos Titãs é relativa. Soube que desde a abertura do teatro somente em três ocasiões o auditório lotou. A média de público gira em torno de 80 pessoas. Uma das maiores missões da atual diretoria da Fundação é a da formação de público para os diversos eventos promovidos. Passei por isso quando diretor de Cultura, mas isso já há quase 30 anos, quando cada abertura de exposição mudava o público de acordo com o artista (parentes e amigos, não propriamente estimulados pela arte). É realmente uma tarefa difícil.

Quanto ao livro, foi uma iniciativa importante para a cidade. Resgata e história, resgata a memória e é isso que estamos precisando. As fotos foram colorizadas. Não sou muito favorável a esta técnica, mas ficou interessante o processo com as fotos originais, em P&B, lado a lado com a manipuladas. Um único descuido de revisão é motivo para não considera-lo perfeito. A inversão de um dos negativos (imagino eu) conduziu o Hotel Marambaia para o pontal sul da praia. Mas no todo é um importante trabalho. Que venham outros.

Um genial filho da puta

Acabei de ler o volumoso Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais, biografia de Assis Chateaubriand. Já deveria ter lido, não é? Mas a grossura do livro, e o preço me desestimularam. Comprar em sebo? No me gusta. Não sei, tem alguma coisa que me afasta de qualquer sebo. Até que chegou a edição econômica (veja na foto, a capa) pela metade do preço e comecei a me envolver com a leitura de uma verdadeira história do Brasil, personagem que influenciou praticamente todas as decisões políticas que aconteceram no país durante o século XX. Riquíssima história. Defino Chatô como um genial filho da puta. Sem ele o Brasil seria outro, não sei se pior ou melhor.