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Quando a publicidade tem função social

Filme-NO

Os publicitários adoram criar um mundo de fantasias para vender os produtos de seus clientes. Não são poucas as propagandas enganosas que habitam nossas TVs, net, jornais, revistas… enfim. Dia desses compartilhei o filminho de um velho pirado em São Paulo que “invadiu” um set numa das praças da capital paulistana e, por um minuto, fez um discurso sobre as mazelas da linguagem da publicidade.

Desde que foi lançado o filme No, em 2012, tentei assistir e ontem tive a oportunidade. O filme chileno relata o processo – nos bastidores – do plebiscito que derrubou Pinochet e sua ditadura naquele país. O publicitário René Saavedra (Gael García Bernal) foi o responsável pela campanha do “no” e teve que enfrentar todos os líderes dos partidos da oposição que defendiam uma linguagem carrancuda relembrando todos os anos de chumbo. Saavedra criou uma linguagem desvinculada, moderna, original, alegre, com apelo de liberdade e foi com esta campanha que deu “no” no plebiscito livrando o povo chileno de 15 anos de Pinochet. É um filme que todos devem assistir e refletir sobre o papel da publicidade na sociedade.

“Eles querem a ficção, não querem a realidade”

As agências de publicidade e seus clientes ainda não entenderam o espírito da coisa. Enquanto eles estufam nossas telinhas de ufanismo, seus consumidores, a população, enxergam a Copa do Mundo que se aproxima de outra maneira. O futebol é paixão do povo até que inventam de fazer a Copa no Brasil e gastam bilhões e bilhões, enquanto a população está carente de tudo: saúde, educação, segurança, mobilidade urbana… esse ufanismo é burro, não atinge seu real objetivo: o consumo. Recentemente foi proposta uma exposição de fotografias alusivas a Copa. Tentamos fotojornalismo, mas, por questões técnicas, não foi possível. Propomos então um ensaio inédito realizado pelo fotógrafo carioca Daniel Farjoun. Ele fez uma enquete junto a população carioca através de retratos de muito bom gosto e o que aconteceu? O shopps não aceitou. Daí o comentário que é título da nota. A publicidade e sua capacidade em vender ficção.

A publicidade viajandona

Por aqui temos uns publicitários do c… Eles devem fumar um quando inventam suas frases de impacto e devem colocar sonífero no copo do cliente na hora da aprovação. Há três situações que mais chamam minha atenção. A mais recente é um pusta outdoor de um restaurante com nome de uma espécie de palmeira que criou o seguinte: feed you soul. Que catzo é isso? Vivemos em BC, um reduto turístico onde a média diária de gasto é de 84 reais (fonte: prefeito ERD). Esse inglesismo gratuito me irrita. Outra também meio recente é o tal verticalizando horizontes. Vixe! Analisemos de forma sóbria (sem nada na cabeça), como é possível verticalizar horizontes. Decidam-se é vertical ou horizontal a bagaça? Por fim, outra da construção civil, esta mais antiguinha que dei muita risada. É o construindo conceito. Lembro que, na época, veio a troupe do Terça Insana, num stand up, no Cine Itália, e a primeira piada de uma das humoristas foi que ela entendeu o slogan. O conceito construído é da sombra na areia da praia e prédios colados um no outro. Pois é. A publicidade é tudo. Ou nada.

A publicidade verdadeira

Todos sabem que o universo da publicidade é uma grande mentirada. É só prestar atenção. Veja as fotos dos sandubas do Bob´s, Mac, B King são lindos, não é? Agora pede um e veja, quaaanta diferença. A Pepsi decidiu ser verdadeira ao criar o pode ser Pepsi. Quantas vezes você chega num mercado, bar, o que seja e pede uma Coca e o atendente responde: “não tem, pode ser Pepsi?”. Por aí, aprovei.